Histórico

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Depois de servir a família por décadas, a casa de praia vai ser demolida. As enchentes e a voracidade dos cupins deixaram a velha moradia enfraquecida e perigosa. Vai embora o bem material, mas com certeza ficarão as lembranças de muitos verões desfrutados ali, na companhia do Seu Eugênio e da Dona Lecí, sempre hospitaleiros à todos que tiveram a felicidade de sua companhia.

No início os filhos ainda solteiros dividindo os beliches. Nos finais de semana a casa ficava cheia com os tios e primos. Tinha churrasco e cerveja para todo mundo. O Seu Eugênio manobrava a churrasqueira com sua bermuda larga mostrando as canelas finas enquanto a dona Lecí comandava a cozinha. Maionese e farofa não podiam faltar. No meio da tarde partia-se a melancia e acontecia a “briga” pelo anjo. Ao entardecer aquele lauto café com as deliciosas cucas e tortas de banana que saciavam os banhistas esfomeados.

Vieram os netos e a casa foi se enchendo de alegria. A descoberta do mar para cada um deles. A praia era tranquila, parecia só nossa e dos Sales. Ano a ano, enquanto cresciam, seus tamanhos eram literalmente gravados nas paredes da casa. Os centímetros se multiplicavam, mais dez, mais quinze. Como cresciam! Quando maiores, vieram as primeiras voltas de bicicleta, os primeiros tombos e muitas outras brincadeiras que fizeram em conjunto para os embevecidos pais e avós corujas.

Naquele tempo havia uma regra que não permitia ir para praia antes das três horas da tarde. Para passar o tempo a turma jogava ping pong na varanda. Os mais velhos que não tivessem ajojados em uma cama curtindo a comilança, jogavam canastra na sala. A tia Maria era fanática por um joguinho e entre uma tragada e outra a Bernardete fazia o seu descarte.

Nos dias de chuva era a vez dos jogos de tabuleiros. Todos em volta da mesa jogando os dados para avançarem seus peões. Em noites movimentavas toda criançada da rua se reunia causando uma enorme algazarra.

Quem pode esquecer as visitas do Joia para tomar um banho de mar. Normalmente ele vinha sozinho, com sua capanga e um maço de cigarros Hollywood na mão. Tomava o seu banho com a indefectível sunga preta e depois ficava para o café, sem deixar de jogar antes um dominó ou uma partida de bocha. Quando o adversário arremessava mal dizia que estava jogando polenta para cachorro. Nos intervalos ouviámos a sua resenha dos acontecimentos esportivos e políticos.

Uma nova casa vai surgir para que as reuniões não deixem de acontecer. Com certeza este sempre foi o desejo daqueles que construíram esta rica família.

 

A casa ficou pronto. Depois de praticamente um ano lidando com pedreiros, pintores, fornecedores e outros profissionais finalmente a reforma terminou. Mais ampla e mais confortável ficou o ideal para os veraneios e reuniões da família. O primeiro evento aconteceu em abril de 2016.

 

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